É FILHO DE BOA GENTE!A l'attention de mes lecteurs :

GUERRA COLONIAL EM ANGOLA. DO ZAIRE AU CUNENE, PASSANDO PELOS DEMBOS.
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OBRIGADO PELA SUA VISITA.

QUEM NAO SE SENTE, NAO É FILHO DE BOA GENTE!


Se servistes a Patria que vos foi ingrata, vos fizestes o que devieis, e ela o que costuma.
Padre Antonio Vieira.

A nação é de todos. a nação tem de ser igual para todos. Se nao é igual para todos, é que os dirigentes que se chamam Estado, se tornaram quadrilha.
Aquilino Ribeiro. In quando os lobos uivam.

"patria", confiscaste-me os meus melhores três anos. Diz-me agora o que posso confiscar-te.

jeudi 16 janvier 2014

CARTA ABERTA AO MEU FILHO


Ainda tu banhavas no ventre de tua mãe, já o estado através da S. Social, te ou lhe enviava
 subsídios a fim de que ela te pudesse comprar as fraldas, cuidado não fosses tu à nascença ser embrulhado num retalho de velho cobertor emprestado pela vizinha . Outrora podia-se nascer e morrer sem receber um centavo de ningem.
Nasces-te numa maternidade bem equipada com assistência de pessoas competentes. Antigamente nascia-se em casa com a ajuda de uma “parteira” que pouco mais sabia dizer que ‘puxa’ Maria.
Beneficias-te desde logo de toda a assistência medica e medicamentosa. Naquele tempo, havia “hospitais” onde só os ricos eram bem tratados.
Aos 8 anos estavas na escola, aos 12 no colégio, aos 16 no liceu, aos 20 na universidade. Em tempos que já lá vão,  aos 8 anos podia-se ir trabalhar no campo, aos 12 guardar vacas, aos 16 ir quebrar calhaus, aos 20, tropa, guerra, suportar seres que para ganhar galões, nada melhor encontraram que fazer a vida negra a inocentes que não pediram nada a ninguém.
O contraste é grande entre o hoje e o ontem. Também é verdade que dia Portugal viu nascer um ser que chegado ao poder se rodeou de papões que com a cumplicidade passiva ou activa de certos Senhores que se julgavam no tempo do Rei piedoso nos privaram de meninice. Se hoje vivemos em liberdade, não é por mero acaso; muitos morreram a fim de que a democracia triunfasse; se beneficiamos de um Estado Social, são necessários impostos e cotizações diversas  para que a “teta” não se esgote. La estão (mos) os contribuintes e os pagadores de impostos vais encontra-los onde quer que estejas: Logo de manha no parque, na estação do comboio, no metro, na rua ha sempre um alguém que participa no financiamento das prestações sociais e infra-estruturas de que beneficias, por conseguinte, toma nota:

Os teus professores respeitaras. (Só eles te poderão transmitir o saber necessário a fim de que não vivas de rastos e ou amordaçado).
As ideias salazaristas, estalinistas ou inquisitoriais, combateras.
O ambiente respeitaras.
Os Direitos Humanos defenderas.
Tolerante e solidário, quanto possível, serás.
Do teu saber, uso egoísta não farás.
Arrogante, não serás.
Modesto, serás.
Se fores funcionário, os utentes contribuintes respeitaras.
Por valores morais, te pautaras.

E... gostaria que respeitasses ao menos algumas destas regras.

António S. Leitão.




mardi 3 décembre 2013

SERMAO DE SANTO ANTONIO AOS PEIXES PELO PADRE ANTONIO VIEIRA; (Excertos).


“Vos”, diz Cristo nosso Senhor, ao falar com os pregadores, “ sois o sal da terra”. E chama-lhes sal da terra, porque quer que eles façam na terra , o mesmo que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção, mas quando a terra se vê tão corrupta como esta a nossa, havendo tantos nela que têm o oficio de sal, qual será ou qual pode ser a causa dessa corrupção? Ou é, porque o sal não salga, ou porque a terra não se deixa salgar. Ou é, porque o sal não salga, e os pregadores não pregam a verdadeira doutrina; ou porque a terra não se deixa salgar, e os ouvintes, sendo verdadeira a doutrina que lhes dão, não a querem receber. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores dizem uma coisa e fazem outra; ou porque a terra não se deixa salgar, e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem, em vez de o que dizem. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores pregam-se a si  e não a Cristo; ou porque a terra não se deixa salgar, e os ouvintes, em vez de servir a Cristo, servem os seus apetites. Não é tudo isto verdade? Ainda mal.
Suposto, pois, que,  ou o sal não salgue ou a terra não se deixe salgar, que se há-de fazer ao sal que não salga?
Cristo disse-o: Quod si sal  evanuerit, in quo salietur? Ad nihilum valet ultra, nisti ut mittatur  foras et  conculcetur ab hominibus. (Mateus V- 13). Se o sal perder a substância e a virtude, e o pregador faltar à doutrina e ao exemplo, o que se lhe  há-de fazer é lança-lo fora como inútil, para que seja pisado por todos. Quem se atrevera a dizer tal coisa se mesmo Cristo não a pronunciara? Assim com não há quem seja mais digno de reverência e de ser posto sobre a cabeça, que o pregador que ensina e faz o que deve; assim é merecedor de todo o desprezo e de ser metido debaixo dos pés o que com a palavra ou com a vida prega o contrario.
Isto é o que se deve fazer ao sal que não salga. E à terra que não se deixa  salgar, que se lhe há-de fazer?
Este ponto não o resolveu Cristo no Evangelho; mas temos sobre ele a resolução  do nosso grande português Santo António, que hoje celebramos, e a mais galharda(*) e gloriosa resolução que nenhum santo tomou.


(Pregado em São Luís  do Maranhão, a 13 de Junho de 1654, três dias antes de embarcar secretamente par a Portugal (a fim de interceder em favor dos indígenas). Revela fina ironia, riqueza nas sugestões alegóricas  e agudo senso de observação sobre os vícios e vaidade do Homem, comparando-o através de alegorias, aos peixes.
Critica a prepotência dos grandes que, como peixes, vivem do sacrifício de muitos pequenos, os quais “engolem” e “devoram”.  O alvo são os colonos do Maranhão, que Brasil são grandes, mas em Portugal  “ acham outros maiores que os comam, também a eles.”
Censura os soberbos (=rocandores), os pregadores (=parasitas); os ambiciosos(=voadores; os hipócritas e traidores (=polvos.”
“O polvo com aquele seu cabelo na cabeça, , parece um monge; com aqueles seus ralos estendidos, parece uma estrela; com aquele não ter osso nem espinha, parece a mesma brandura, a mesma mansidão. E debaixo dessa aparência tão modesta ou dessa hipocrisia tão santa, testemunham constantemente (...) que o dito polvo é o maior traidor do mar.

jeudi 14 novembre 2013

SALAZAR É QUE ESTA A DAR



O homem não bebia, não fumava e era bem apessoado. Penteado de risco ao lado, gravata, um perfil adunco disfarçado pelas sombras do olhar, entre o manhoso e o matreiro, o sagaz e o perspicaz. Manhoso é matreiro e sagaz é perspicaz. Apliquem-se adjectivos de significado único e finjam-se distintos e múltiplos, foi esse o truque de Salazar. Havia um Parlamento, era dele, era um Parlamento. Havia eleições, eram dele, eram eleições. No tempo dele não havia escândalo nem corrupção porque não havia quem os denunciasse nem imprensa que os publicasse, a PIDE e a Censura vigiavam, e o salazarismo passou como um período ideal, autoritariamente ideal, em que os homens políticos eram limpos e defendiam o império, governavam e não se governavam. E aquilo dos Ballets Rose murmurou-se nos corredores e salões como uma anedota distante, tão distante como África e as histórias das mulheres dos sobas ou as lendas das cabeças empaladas dos pretos. Os canibais andavam por aí, nas casas grandes e sanzalas do Restelo, do Estoril, de Sintra, dos lugares chiques onde moravam os ricos e poderosos. E Portugal era grande, assente sobre um povo escravo e analfabeto, trémulo e rapado. Sem ofensa. Um Portugal construído sobre pilares de medo em que se temia tudo, o padre que arrecadava confissões e adultérios, o marido que batia na mulher, o vizinho do lado que era pide, o colega de escola que batia nos outros e carteava um trunfo de pai-ministro, o polícia que usava a farda para comprar fiado. E como todos eram muito pobres, comprava-se açúcar amarelo a prestações, e Omo, e marmelada, e iogurte, e bolachas torradas, luxos. A taberna não fiava. No país das meias-tintas calçávamos meias-solas fiadas no sapateiro, e a vida era vivida a prestações e cobrada aos fins de mês, a data histórica do ano. Ao-fim-do-mês-pago, e as criadas contavam das patroas que dormiam com os credores para adoçar a dívida, uma prostituição muito consentida visto que as mulheres, naquele tempo, ou eram mães ou eram putas. As que não casavam era freiras ou madrinhas-de-guerra. As do regime eram do Movimento Nacional Feminino, instituição de caridade montada com laca de cabelo. As mães mandavam os meninos para a guerra nas colónias em barcos imensos e recebiam cabogramas anunciando a morte. Mais as lágrimas do Natal do Soldado que eram espectáculo de televisão. Para as minhas mulheres, mães, madrinhas, noivas e demais família um Natal muito feliz e com muitas propriedades. Os mais letrados riam-se muito dos soldadinhos de chumbo, broncos que nem sabiam soletrar prosperidades. O povinho era assim e não se lhe podia dar o voto, acabaria por estragá-lo, Deus e o Cardeal Cerejeira nos livrem. Os valentes soldados Silvas nunca mandavam propriedades para as filhas porque não tinham chegado a tê-las, rapazes de mama atirados para o mato com uma espingarda nas mãos por amor à pátria. A pátria devolvia o cadáver. Os que morreram nem chegaram a saber por que tinham morrido. E os que não morreram e ficaram sem olhos, sem mãos, sem pernas, sem juízo, nunca chegaram a ser lembrados pela pátria madrasta. As mães e viúvas de negro choravam nas campas dos cemitérios de aldeia, os homens tiravam respeitosamente o chapéu, e depois tudo se sepultava no esquecimento. Os filhos dos ricos e dos poderosos eram "dispensados" da tropa, e os filhos da burguesia fugiam para os cafés de Paris e o "estrangeiro". O fascismo nunca existiu. Alguns deles, alguns, foram dar com o rabo sentado na selva e começaram a perguntar: que faço eu aqui? Alguns deles tiveram a coragem de fazer uma revolução. Salazar morreu no conforto da cama e da manta e da governanta antes de constatar a heresia do 25 de Abril e o cheiro dos cravos. Os herdeiros foram para o Brasil dar aulas na universidade e os pides foram recuperados para a sociedade porque somos assim, um país de brandos costumes onde nunca há mortos e feridos e ninguém há-de escapar. A guerra de África? Aquilo era lá longe, e não havia televisão, nem fotografias, nem relatos dos massacres. Nem liberdade. E Salazar é que sabia, Salazar é que mandava. Nas escolas, nós, servos descendentes de reis e heróis do mar, de padeiras e assassinos, de sonhadores e magos, nós Pessoas geniais iguais umas às outras, gritávamos obedientes, Salazar, Salazar, Salazar! De mãozinha esticada. Aquilo fazia lembrar Hitler e a II Guerra de que o chefe nos tinha defendido, a honra de não ter combatido o nazismo com os Aliados e ter jogado com um pau de dois bicos, o coração nas Potências do Eixo, a cabeça na geografia atlântica. Era preciso poupar o cais e o apeadeiro chamados Portugal. Arlequim que serve a dois amos, eis a essência da nossa alma. E Vocelências que me desculpem, que já vou saindo desta crónica de cachaço rente ao chão e pela porta de serviço. Sem ofensa.”
Clara Ferreira Alves
( Com a devida vénia.)

mardi 3 septembre 2013

PARTIDA PARA MOÇAMBIQUE


As amarras se desprendiam
O barco partia
No cais,
Grossas lágrimas se vertiam

Lenços a abanar
Gentes com dor
Lançam gemidos
Sempre a soluçar

Para que tudo isto,
Pergunto eu?
Ninguém responde...
Partes para lutar.

O convés esta cheio de marujos
Que jogando...
E assim se distraindo
E, sem saber porquê
Se vão partindo

Gaivotas esvoaçam
Os fuzos no porão,
As mãos entrelaçam.

O paquete
As aguas vai rasgando
E, do destino
Os mancebos
Se vão aproximando.

Perto do cais,
Daquelas terras
Que, tão diferentes são
Porque desembarcamos?

Pergunta sem reposta!
E todos pensam
Será que
E para defendermos
Este chão?!

Fernando S. Leitão.






mardi 16 juillet 2013

GUERRA EM MOÇAMBIQUE. (Operação Planalto).




A primeira mina antipessoal em Moçambique rebenta no dia 14 de Junho de 1965, na zona de Cobué, distrito do Niassa. Esta região de resto, há-de ficar conhecida entre os combatentes portugueses como o estado de minas gerais. Que o diga o alferes  António gomes, sapador do Bat. de Cac 598. Em dois anos de comissão, detectou 560 minas. As companhias que actuavam no Niassa temiam sobretudo as minas antipessoais e anticarro. As bermas da picada eram depósitos de sucata retorcida.
No planalto dos Macondes, vizinho distrito de Cabo Delgado as emboscadas eram o perigo que mais se receava. O comandante-chefe de Moçambique, general Carrasco, lança nesta região a primeira grande operação militar em Moçambique, a Operação Águia entre 2 de Julho e 6 da Setembro. Participam o Batalhão de Caçadores 588, o B. Caç. De Nampula, o B. Caç. 729 e uma bateria de Artilharia.

(In Os anos da guerra.) Com a devida vénia.
A operação executada entre os rios Rovuma, na fronteira com a Tanzânia, e Messalo, tem como principal objectivo esmagar a guerrilha do Planalto dos Macondes. A ordem de operação manda “ desenvolver uma actividade destinada simultaneamente a exercer uma acção de presença junto das populações, destruir instalações  caracteristicamente terroristas, furtando assim aos bandos inimigos todo o apoio por parte das populações comprometidas ou não”.
O dispositivo militar em Cabo Delgado estava centrado em Mueda. Foi a partir desta zona, no coração do Planalto dos Macondes , que a operação se desenvolveu.
Dez mortos.
As forças portuguesas encontraram sérias dificuldades desde o inicio da ofensiva. Foram surpreendidas, segundo o relatório da operação, pelo “elevado numero de emboscadas e de acções de flagelação”. Nos primeiros dias as acções de guerrilha fazem quatro mortos e 18 feridos .
A Força aérea entra em acção no dia 8 de Julho e descarrega bombas sobre Muatide. Nem assim os guerrilheiros abrandam. Entre os dias 14 e 30 de Julho, as emboscadas sucedem-se um pouco por toda a zona da operação. Tombam em combate mais seis militares portugueses e são evacuados com ferimentos graves.
(In Os anos da guerra.) Com a devida vénia.
As noticias que chegam ao quartel-general em Lourenço-Marques, não são nada animadoras. Os relatórios enviados pelo comando da operação dão conta de”um inimigo numeroso, fortemente  mentalizado, bem armado que se habituara a actuar com relativo à-vontade na zona”.  Ao contrario do que planeara o comandante-chefe general João Carrasco, já não era possível desalojar os guerrilheiros do Planalto dos Macondes. Os portugueses tinham perdido a batalha da conquista da população que prestava o inestimável apoio de que a guerrilha tanto necessitava : o povo do planalto era para os guerrilheiros como agua para o peixe.
A partir do final de Julho, a Operação Águia foi perdendo de intensidade. As unidades instalam aquartelamentos e passam a fazer batidas, até que a operação é dada como terminada em 6 de Setembro. Os resultados finais são modestos em comparação com os objectivos inicialmente pretendidos. Já então o Planalto dos Macondes é uma das mais duras zonas de toda a Guerra Colonial: os guerrilheiros são numerosos, estão bem armados e dispõem de bases importantes.

(in as grandes operações da guerra colonial).

vendredi 28 juin 2013

FADO CHECA. (ADEUS COBUÉ E NIASSA)




Benvindo checa[1]
A esta guerra que te espera
Não venhas triste
A guerra é boa
Só fazes cera.

Vais ter saudades
De mulheres brancas
Ai que tormento
Aqui há pretas
Mas tem cuidado
 Com os resquentamentos

Checa danado
Desta guerra muito lixada
Não chores o desgraçado
Não vale a pena chorar

Checa bem-vindo
Chegas-te e agora eu já vou indo
Afinal mal encavacado
(Foto net).
Que vieste  cá fazer?
Tu és um checa
Vieste para me render.

(1) Apelido aplicado aos militares recentemente chegados da Metrópole.
Em Angola, éramos maçaricos.

Meu irmao Fernando propos-me estas quadras sem precisar o nome do autor.









vendredi 21 juin 2013

METÂNGULA.



Fernando S. Leitão, ou seja o meu irmão, pertenceu
à Companhia de Fuzileiros N° 4, prestou serviço
em Moçambique nomeadamente em Metângula,
Cobué e Machava. 1968/1970.

Adeus Metângula, adeus comissão,
Já vou p’ra cidade
Até me da vontade
De me atirar p’ro chão
Deixei o farol, que o control regula
Vou pelo caminho
Dizendo baixinho
Adeus Metangula.

Adeus Cobué e Niassa,
Onde tanta fome se passa
E dos bailes ao luar
Onde o fado já morou
Adeus o “turras” banais
A mim não me lixais mais
A guerra para mim passou!

Adeus Metângula, adeus comissão,
Já vou para a cidade
Até me da vontade
De me atirar p’ro chão
Deixei o farol, que o tempo regula
Vou pelo caminho
Dizendo baixinho
Adeus Metângula!!!

Fernando S. Leitão.
A prova de que o inimigo estava bem armado.