É FILHO DE BOA GENTE!A l'attention de mes lecteurs :

GUERRA COLONIAL EM ANGOLA. DO ZAIRE AU CUNENE, PASSANDO PELOS DEMBOS.
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OBRIGADO PELA SUA VISITA.

QUEM NAO SE SENTE, NAO É FILHO DE BOA GENTE!


Se servistes a Patria que vos foi ingrata, vos fizestes o que devieis, e ela o que costuma.
Padre Antonio Vieira.

A nação é de todos. a nação tem de ser igual para todos. Se nao é igual para todos, é que os dirigentes que se chamam Estado, se tornaram quadrilha.
Aquilino Ribeiro. In quando os lobos uivam.

"patria", confiscaste-me os meus melhores três anos. Diz-me agora o que posso confiscar-te.

samedi 18 février 2012

CULPADO.







Culpado de ter nascido sob o fascismo!
Culpado de ter frequentado “escolas” sem retrete
Culpado de ter ido trabalhar no campo aos oito anos!
Culpado de ter ido quebrar calhaus aos quinze!
Culpado de ter ido para a guerra aos vinte!
Culpado de ter emigrado aos vinte e cinco!
Culpado de ter sido privado de meninice, enquanto eles eram meninos até aos vinte!
Condenado por um punhado de “Barões” que entenderam que os meus anos de guerra não contam para efeitos de aposentação, porque precedidos de vinte anos de miséria! Levantai-vos terras áridas: Quem foi que com suor e lágrimas vos sachou, cavou e lavrou anos e anos sem proveito algum? Nos os que nunca tivemos a caixa. Levantai-vos pedras da calçada: Que foi que aos 15 anos foi quebrar rochedos a fim de os transformar naquilo que sois hoje? Nos os que nunca tivemos a caixa!
Quando tinha vinte anos, enviaram-me para aqui.
Agora, velho trôpego, dizem-me que  trabalhe;
oxalá o inferno exista e eles as paguem com lingua de palmo.
Mas que venham dai os “Barões” que me “novedoismilixaram”: Eu empresto-lhes uma marreta de sete quilos e que vão quebrar pedra como eu fui! Que tragam os filhos, de preferência descalços; os meninos que vão caminhar na caquinha dos bovinos; que vão levar coices e marradas; guardar ovelhas como foram os mais inteligentes da minha turma, mas que nunca tiveram a caixa que agora serve de pretexto para com uma “cuspidela” nos marginalizarem.
Benditos deputados, Benditos ministros, Abençoados os Presidentes que tornaram possível tal lei; esta gente ira toda para o Céu. Eu morrerei mais cedo, mas quando eles lá chegarem, já eu conheço a topografia da casa, e quando eles me perguntarem onde são as casas de banho, eu vou envia-los na direcção errada e eles não vão encontrar e regressarão todos borrados. Perguntar-lhes-ei então onde estão os Mercedes, e eles vão constatar tristemente que deixaram cá tudo e que não valia a pena tanto cinismo.
P.S. Dizem-me agora que vá consultar a caixa Francesa, a fim de que ela contabilize os meus anos de guerra para efeitos de Aposentação. Não fiz a guerra do Vietname nem a da Argélia com e exercito Francês, mas eu irei “consulta-la”e se a resposta for positiva, cantarei também:
E para começar
Eu só vou gostar
De quem gostar de mim.
Antonio Leitão.


jeudi 9 février 2012

BEM-VINDOS EM TERRA CUANHAMA.

O que devia ser motivo de satisfação na vida: ser cada dia mais justo, mais generoso, mais simples, mais humano.        
James Freeman Clarke.              

Depois  de S. António do Zaire, onde alguns de nos estivemos destacados um mês, depois do “paraíso” de Ambrizete, depois do “inferno” de Nambuangongo eis-nos  agora no “purgatório” de Pereira d’Eça.  Aqui expiaríamos os últimos “pecados”.
As montanhas dos Dembos sucediam as planícies sem fim; à floresta quase virgem, sucedia uma paisagem quase nua como se o deserto da Namíbia quisesse colonizar o Cunene; à terra que produzia café, sucedia um solo árido que associado a um clima seco pontuado por violentas inundações era pouco pródigo em produção agrícola.
Nas nossas digressões pela zona encontrávamos alguns campos de massango, (painço) que depois de esmagado num buraco feito num pedaço de madeira, era utilizado para confeccionar o tradicional funge, alimentação de base da população local.
Zona mais propicia para o pastoreio, encontrávamos muitos caprinos e suínos, mais raros eram os bovinos. Paradoxalmente as cheias “punham” à disposição da população certa quantidade de peixe que segundo nos disseram provinha do rio Cunene que distava de noventa quilómetros, mas a origem podia ser outra. Diga-me Sra. Prof., é verdade que os ovos dos peixes podem sobreviver enterrados na areia e eclodir ao contacto da agua? Olhe que eu não sabia.
De onde em onde havia pequenos lagos artificiais que tinham o dom de reter alguma agua das cheias e que depois constituíam uma reserva para que o gado não sofresse tanto os efeitos da época seca. Nos efectuávamos patrulhas de dois dias no âmbito de certa acção psicológica; íamos ao encontro das populações isoladas no interior da savana.
“Navegando” para Sul, “descobrimos” a linha recta mais longa de toda a África, (assim me contaram) ou seja a fronteira com a Namíbia. Constava então, que quando a fronteira foi implantada cortou ao meio a etnia Cuanhama.  A partir de então entenderam os Cuanhamas da Namíbia reivindicar o território ocupado pelos “irmãos” Angolanos e vice-versa. Coube a “iniciativa” aos  da Namíbia, que um dia derrubaram  a irrisória fronteira existente, como se quisessem ocupar o distrito do Cunene.  Seguiu-se um protesto de Portugal na O.N.U. que obrigou os Ingleses a “reconstrui-la”, dai a imponente barreira de arame farpado.
Permaneceríamos por aqui nove meses, porque no fim do tempo regulamentar, fomos presenteados com um prolongamento de quatro meses o que totalizaria  vinte e oito períodos de 30 dias em terras de Angola.

A.L.

samedi 28 janvier 2012

ERA UMA VEZ, NO CUNENE.




Kimbo ou "residencia" local.
Naoatu?!- Disseram os miudos quando eu passava.
hêêê! Respondi eu, e trouxe esta imagem.
Pobres Cuanhamas pequeninos!
Aqui esmagava-se o massango,vulgo painço, alimentação de base
da população local.
Capinagem. aqui pudemos fazer uma pausa sem apanhar nove reforços de
castigo, ou ir para  para o Canacassala.
Naquele dia, tive a sorte de encontrar uma sachola
com cabo comprido...

...Por vezes nao iam alem dos 60 ou 70 centímetros.
Enquanto "saboreava" as delicias do regime fascista, familiarizava-me
com o universo do Gulague.
Como eu gostava de ler...
... O Capitão enviou-me para aqui 10 dias, a fim de que  eu
lesse o livro todo.
Depois da seca, vinham as inundaçoes.
Atolados na lama.
O ramo de arvore em forma de (Y) indicava a entrada
ou saida de uma palissada que cercava as "residencias"
da savana.
Era nossa missão ir ao encontro das pessoas isoladas e
com a ajuda de um interprete e dos nossos enfermeiros, fazíamos por
elas o que podíamos. E como diz o poeta: Quem faz o que pode, faz o que deve.
Contaram-me que no tronco ...
...desta arvore, o Rei Bandume, experimentava as armas que mais tarde
utilizaria contra os Portugueses.
No âmbito de uma visita do Governador Geral,
certas etnias da região, vieram à cidade.


samedi 21 janvier 2012

AFRICA.




“Todo o apelo ao ódio nacional, racial e religioso que constitua uma incitação à discriminação, à hostilidade ou à violência deve ser interdito pela lei.”

(Artigo 20°  do Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos.)

Corria o ano de 1974; estávamos no mês de Maio. Depois de termos passado os últimos 9 meses em Pereira d’Eça, eis-nos  enfim  em Luanda aguardando embarque para a Metrópole. Conversando com um amigo há muito radicado nesta cidade, diz-me ele a certa altura: Querem dar-lhes a autodeterminação, mas o que eles querem é a independência, e afinal a França também tinha a Argélia que lhe dava jeito devido ao petróleo e ficou sem ela. Acabava de passar 3 anos de serviço militar para conservarmos a nossa rica África, e não admitia  tal hipótese. Qual independência, qual carapuça?!
De regresso a Portugal, emigrei para França e quando procurei  um lugar onde pudesse aprender um pouco de francês, indicaram-me um “Lar de Emigrantes onde comecei a ter como colegas de “turma”, Argelinos, Marroquinos, e Tunisinos. Passado pouco tempo, também o professor era Africano. Vendo que a cor da epiderme era diferente, perguntei-lhe qual o seu pais de origem. Togo, foi a resposta. Togo? Pais independente, perguntei eu. Sim, pais independente, respondeu o Professor.
Africa, essa "desconhecida"!
Na escola falaram-nos das nossas colónias limitadas a Norte e a Sul, Este e Oeste, etc. etc. e vinha agora aquele senhor falar-me de Togo. Comecei então a contar os países Africanos. Não precisei destes anos todos, mas nem sempre é fácil recordar África; o abandono desta deixou feridas abertas que jamais cicatrizarão, mas a colonização também deixou feridas, só que as dos nossos doem mais.
Vejamos todavia: Marrocos independente em 1956, Argélia 1962,Tunísia 1956, Líbia 1951,Egipto 1922,Mauritanea 1960, Mali 1960, Níger 1960,Chade 1960 Sudão 1956,  Eritreia 1993, Djibuti 1977, Somália 1960, Senegal 1960, Gâmbia 1965, Guiné-Bissau 1974, Serra-Leoa 1961, Costa do Marfim 1960, Burquina-Faso 1960, Ghana 1957, Benim, Togo, Nigéria, Camarões, República C.  Africana, Gabão, Congo, R. D. C. (Zaire), 1960, S. Tomé e Príncipe 1975, Guiné Equatorial 1968, Uganda 1962, Kénia 1963, Ruanda 1962,Burundi 1962, Tanzânia 1961, Angola 1975,Zâmbia 1964, Namíbia 1990, Malawi 1964, Botsuana 1966, Zimbabué 1980, Moçambique 1975,  África do Sul 1910 (?) , Lesto 1966, Suazilândia 1969, Libéria 1847 (?) Guiné-Conakry 1958, Etiópia consta que não  foi colonizada (?)
Se há imperfeições, corrija-as quem quiser, todavia se os governantes portugueses tivessem meditado no “Inferno” que os franceses tiveram no Vietname em Maio de 54, e seguidamente na Argélia, tudo isto a seguir à grande guerra 39-45, talvez certas tragédias  pudessem ser evitadas.



A "MINHA" GUERRA EM IMAGENS.

Viagem Metropole Angola.

Chegada a Luanda.
Apresentaçao do Batalhao.
Ambrizete: Captaçao d'aguas.
Algures entre Ambrizete e Tomboco.


Nambuangongo em todo o seu esplendor!
Claro que nao escrevi, mas subscrevi com certo orgulho.
Nao era intenção minha esconder o Monumento.
Aqui morava o Pel. Rec.
Passagem de Ano. 72/73.
Entre Nambu. e Quipedro aquilo fez: Puuuuuumm! 
Operaçao Via Lactea.
Pausa para o almoço.
Por aqui fora, esta tudo minado: dizia o colega que me "emprestou" a MG. 
Pausa para a foto.
Missao cumprida. Podia-se a partir de entao circular pelo coraçao do Canacassala!
Cheira bem, cheira à Beira-Baixa.
Pel. Rec. Foto de familia.
Que importa morrer se no cemitério ha flores? No cemitério de Nambu. o que havia,
era muita erva.
Nambu. do lado Sul. Aqui "moravam a  nossa Comp. Op. 3480, o Pelotao de Apoio
Directo e o Pelotao de Morteiros.
Era ainda noite, quando aos gritos de Nambu. Nambu. descemos a rampa da caserna até ao fundo; "desancoramos"rumo ao Sul e
dissemos: Adeus Nambu. para sempre.
A caminho de Pereira d'Eça.
Nambuangongo ficava ja muito longe e ainda bem.
Pereira d'Eça à vista.
Esperava-nos o General pereira d'Eça
na primeira rotunda.
De sentinela.
Frente a mim, ficava a igreja.
A esquerda, o Palacio do Governador.
Pormenor da casa da guarda. Quem disse que as nossas condições
de vida eram inconformáveis?
Naquele dia, o homem da escala, pos-me de serviço em três lados.
Lutar, lutei, por quem, nao sei.


                                  GUERRA MALVADA!
Monumento aos antigos combatentes. Obrigado Torres Vedras. Monumentos assim, sao um exemplo a seguir.

"Eles fizeram a guerra sem saber a quem
Morreram nela, sem saber porquê
Entao por prémio, ao menos se lhes dê
Justa memoria a projectar no além."

Poema inscrito neste monumento, da autoria de Jaime Umbelino.
          Ainda ha pessoas de bom senso na terra Lusitana. BEM HAJA!



    ( Foto net.) Com a devida vénia.
Façam amor, nao a guerra.